Marco Buzzi, ministro acusado de importunação sexual, ganhou R$ 750 mil brutos em 4 meses
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Ministro acusado de importunação sexual ganhou R$ 750 mil brutos em 4 meses
Enquanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) avança na sindicância interna para apurar denúncias de importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi, o detalhamento de seus vencimentos em 2025 revela uma realidade financeira que ignora o teto constitucional. Embora o limite do funcionalismo seja de R$ 46.366,19, Buzzi recebeu valores líquidos acima dessa marca em todos os meses do ano passado.
O auge desses rendimentos ocorreu no último quadrimestre de 2025, quando o magistrado embolsou um total bruto de R$ 751 mil. Após os descontos obrigatórios, o valor líquido que caiu na conta do ministro ultrapassou os R$ 600 mil.
Para entender como o salário base de aproximadamente R$ 44 mil se transformou em cifras de centenas de milhar, é preciso observar as categorias que compõem o rendimento bruto do magistrado:
Salário base: manteve-se estável em cerca de R$ 44 mil.
Direitos pessoais: Incluem abono de permanência e adicional por tempo de serviço (cerca de R$ 16,5 mil em setembro).
Indenizações: englobam auxílio-alimentação e outros benefícios (aproximadamente R$ 19,5 mil mensais).
Direitos eventuais: foi nesta categoria, que incluem os "penduricalhos", que o salário de Buzzi explodiu, incluindo bônus natalinos, terço de férias, acúmulo de função e vultosos pagamentos retroativos.
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Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que verbas retroativas foram o principal combustível para os altos valores no fim de 2025:
Setembro: o valor de direitos eventuais ultrapassou R$ 200 mil, inflado quase integralmente por pagamentos retroativos.
Outubro e novembro: a verba retroativa, sozinha, igualou o teto do funcionalismo (R$ 46,3 mil). Em novembro, somou-se a isso uma gratificação natalina superior a R$ 50 mil.
Dezembro: Os direitos eventuais somaram R$ 87 mil, compostos por mais bônus de natal (R$ 23 mil), antecipação de férias (R$ 17 mil) e, novamente, o valor do teto justificado como verba retroativa.
A esfera administrativa analisa agora se Buzzi tem condições de continuar no cargo. Caso a sindicância do STJ e o processo no CNJ resultem em condenação, a pena máxima é a aposentadoria compulsória.
Nesse cenário, o ministro passaria a receber proventos proporcionais ao seu tempo de serviço. Dada a sua longa trajetória e os valores apresentados em seu histórico recente, a aposentadoria estimada em cerca de R$ 44 mil é vista como um "tapa na cara da sociedade", já que o magistrado manteria um padrão de vida elevado mesmo sendo considerado inapto para a função pública por má conduta.
Enquanto a discussão sobre os salários e a sindicância administrativa avança no STJ, Buzzi permanece afastado e sob investigação criminal sigilosa no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Jornal Nacional/ Reprodução